OS HEBREUS

 

A Palestina

A antiga Palestina, denominada terra de Canaã, compunha uma faixa de terra cercada pela Síria, pela Fenícia e pelo deserto da Arábia. O vale do Rio Jordão era a área mais fértil, favorecendo a prática agrícola e a fixação da população, ao contrário do resto do seu território, que era formado por montanhas e colinas de solo pobre e seco, trilhado por grupos nômades dedicados ao pastoreio. Os hebreus chegaram à Palestina por volta de 2000 a. C., constituindo tribos autônomas chefiadas pelos patriarcas (chefes dos clãs). Contudo, quando ali chegaram, a região já estava ocupada por cananeus e filisteus. Isto deu origem a prolongados conflitos pelo controle das terras, em que os hebreus acabaram vitoriosos.

 

A era dos patriarcas

Segundo o Antigo Testamento, Abraão foi o primeiro patriarca hebreu: orientado por Deus, deixou a cidade de Ur, na Caldeia, e dirigiu-se à Palestina. O deus dos hebreus, Jeová, teria prometido a Abraão uma terra para ele e seus descendentes, onde haveria de correr “leite e mel”. Depois de Abraão, os patriarcas foram Isaac e Jacó (ou Israel). Jacó deixou 12 descendentes que deram origem às 12 tribos de Israel.

Os sucessivos conflitos contra os vizinhos cananeus e filisteus provocaram o abandono da Palestina por muitos hebreus, que se dirigiram para o Egito, onde permaneceram por mais de 400 anos. Fugindo da guerra e da fome, esses hebreus sujeitaram-se à escravidão imposta pelos faraós egípcios, apesar de alguns ganharem destaque na sociedade egípcia. É o caso de José, que, segundo a Bíblia, foi ministro do faraó.

Buscando libertar-se da escravidão, liderados por Moisés, os hebreus empreenderam o Êxodo voltando para a Palestina. Durante 40 anos permaneceram no deserto e, conforme consta na Bíblia, Moisés, após alcançar o Monte Sinai, recebeu de Deus os 10 mandamentos, conjunto de determinações para a vida, que os hebreus deveriam seguir. O sucessor de Moisés, antes mesmo de chegar à Palestina, foi Josué.

 

A era dos juízes

Quando chegaram à Palestina, os hebreus tiveram de enfrentar os guerreiros filisteus que ocupavam o litoral. Para isso, nomearam os juízes, chefes militares escolhidos pelas tribos hebraicas na luta contra os inimigos. Os juízes, além de chefes guerreiros, eram ainda líderes políticos e religiosos do povo hebreu. Entre eles, os que mais se destacaram foram Gideão, Sansão, Gefté e Samuel. Samuel procurou completar a unidade das 12 tribos hebraicas a fim de fortalecer a posição israelita na luta contra os ocupantes da Terra Prometida. Como esse propósito, proclamou Saul como rei dos hebreus (1010 a. C.)

 

A era dos reis

Saul não teve sucesso na luta contra os filisteus e, vencido, suicidou-se. Somente com seu sucessor Davi, os inimigos acabaram definitivamente derrotados, iniciando a fase mais brilhante da história hebraica.

Davi, célebre por ter vencido o gigante Golias, inaugurou um Estado forte, dotado de exército permanente e de uma organização burocrática. Estabeleceu a capital em Jerusalém e expandiu-se, conquistando as terras a leste do Rio Jordão e parte da Síria.

Sob o governo de Salomão, a partir de 966 a. C., o reino hebraico conheceu a estabilidade e a riqueza, especialmente em função de importante desenvolvimento comercial. Foram construídas obras públicas grandiosas, como o Templo de Jerusalém dedicado a Jeová, onde foram guardadas as Tábuas da Lei, contendo os Dez Mandamentos.

 

O cisma hebraico

A opulência alcançada por Jerusalém era, contudo, obtida através da cobrança de pesados impostos. Isto gerou descontentamentos que, somados à morte de Salomão, ativaram uma disputa pela sucessão do monarca. O resultado foi o fim da unidade política do povo hebreu, que se dividiu em dois reinos: o de Israel, formado por 10 tribos e capital em Samaria, e o de Judá, com 2 tribos e capital em Jerusalém. Esta cisão, ocorrida em 926 a. C., enfraqueceu os hebreus diante de outros povos expansionistas.

Em 721 a. C., Sargão II, rei dos assírios, conquistou Israel. Já o Reino de Judá foi dominado, em 586 a.C., por Nabucodonosor, que levou muitos hebreus como escravos para a Babilônia, iniciando o chamado Cativeiro da Babilônia.

Quando, em 539 a.C., Ciro I da Pérsia conquistou a Babilônia, os hebreus foram libertados, retornando à Palestina. Reconstruindo o Estado hebraico na região de Judá, os hebreus, agora denominados judeus, permaneceram, porém, sob o domínio persa.

A Palestina, posteriormente, foi ainda conquistada pelos greco-macedônios, e pelos romanos, que submeteram os hebreus a violenta tributação e opressão, originando diversas revoltas na região. Em 70 d.C., durante o governo do imperador romano Tito, a cidade de Jerusalém foi destruída e os judeus começaram a fugir para outras regiões. Esta dispersão dos hebreus recebeu o nome de Diáspora.

Os judeus só voltaram a reunir-se num Estado autônomo em 1948, a partir de uma determinação da ONU que criou o Estado de Israel. Essa decisão da ONU, porém, causou um sério problema na região do Oriente Médio, pois, com a saída dos hebreus da Palestina, no século I, outros povos, principalmente os de origem árabe, ocuparam-na, ao longo dos séculos seguintes. A oposição dos árabes à existência do Estado de Israel somada às ingerências de outros países com interesses no Oriente Médio têm resultado em sucessivos e sérios conflitos.

 

Economia e sociedade hebraicas

A economia hebraica na Antiguidade apresenta-se preponderantemente pastoril e agrária. Às margens do Rio Jordão, especialmente, cultivavam-se cereais, videias, figueiras e oliveiras.

Antes da consolidação da unidade hebraica, com o Rei Saul, as terras eram cultivadas coletivamente e a produção revestia-se para toda a tribo. A centralização política, contudo, determinou a alteração dessa situação: a terra converteu-se em propriedade privada, concentrada nas mãos de uma aristocracia ligada ao Estado monárquico.

Durante o reinado de Salomão, graças à sua privilegiada localização geográfica, a Palestina – que se situava na confluência de importantes rotas terrestres ligando Egito, Fenícia e Mesopotâmia – assistiu a um grande desenvolvimento de seu comércio regional.

Na sociedade hebraica, os camponeses, pastores e escravos formavam a maior parte da população, submetidos a vários tributos, trabalhos obrigatórios e ao serviço militar. Como camada intermediária, achavam-se os burocratas e comerciantes. No topo da sociedade, estava uma elite privilegiada, formada por proprietários de terras, sacerdotes (rabinos) e pela família real.

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Espírito Emmanuel (Livro: A caminha da luz)

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