PARÁBOLA DO JOIO E DO TRIGO
(Mt 13:24-30)

Mateus
Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.


Ideia Principal:

Esta parábola tem um significado que pode ser assim expresso:

O campo somos nós, a Humanidade; o semeador é Jesus; a semente de trigo — o Evangelho; a erva má — as interpretações capciosas de seus textos; e o inimigo — aqueles que as tem lançado de permeio com a lídima doutrina cristã.

O crescimento do joio junto ao trigo representa a luta entre o bem e o mal, comum em mundos de expiação e provas como o nosso. Indica também as dificuldades e as bênçãos existentes na luta cotidiana. Importa considerar que muitos “joios” encontrados na pauta da existência ocorrem como produto da nossa invigilância ou decorrentes de processos atávicos ainda não superados.

A parábola do trigo e do joio simboliza a luta entre o bem e o mal, ainda existente no nosso planeta.

Quando Jesus recomendou o crescimento simultâneo do joio e do trigo, não quis senão demonstrar a sublime tolerância celeste, no quadro das experiências da vida. O Mestre nunca subtraiu as oportunidades de crescimento e santificação do homem e, nesse sentido, o próprio mal, oriundo das paixões menos dignas, é pacientemente examinado por seu infinito amor, sem ser destruído de pronto. Importa considerar, portanto, que o joio não cresce por relaxamento do Lavrador Divino, mas sim porque o otimismo do Celeste Semeador nunca perde a esperança na vitória final do bem.


Interpretação:
  • Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. (Mt 13.24,25)

Os ensinamentos: “Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo” indicam que o homem que semeia é Jesus, nosso orientador maior e agricultor divino. A boa semente é o seu Evangelho de luz e amor que nos concede os meios de nos libertarmos das nossas imperfeições. A Humanidade, representada pelo campo, indica os Espíritos, encarnados e desencarnados, em processo de aperfeiçoa­mento no Planeta.

O “homem que semeia a semente no seu campo” é uma assertiva, aplicada a nós próprios, noutro sentido. Demonstra que possuímos um campo de atuação, característico do nosso nível evolutivo, onde desenvolvemos experiências importantes de aprimoramento espiritual. À medida que evoluímos descobrimos a necessidade da seleção de valores que devem ser aplicados nesse campo. A “boa semente” representa, pois, a semeadura de valores morais e intelectuais.

Jesus tem o seu campo de serviço no mundo inteiro. Nele, naturalmente, como em todo o campo de lavoura, há infinito potencial de realizações, com faixas de terra excelente e zonas necessitadas de arrimo, corretivo e proteção.

Semelhantemente, nos esforços de semear a boa semente devemos estabelecer condições propícias ao surgimento e manutenção da harmonia, da segurança e da paz na própria vida.

A outra assertiva: “Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se,” nos conduz a duas reflexões: uma relativa à necessidade de repouso, após as atividades laborais. Outra, associada à preguiça. Em O Livro dos Espíritos aprendemos que o descanso físico e mental é lei da Natureza: “O repouso serve para a reparação das forças do corpo e também é necessário para dar um pouco mais de liberdade à inteligência, a fim de que se eleve acima da matéria”. (1) Entretanto, devemos aprender discernir descanso de ociosidade.

Urge, pois, que saibamos fugir, desassombrados, aos enganos da inércia, porque o espelho ocioso de nossa vida em sombra pode ser longamente viciado e detido pelas forças do mal que, em nos vampirizando, estendem sobre os outros as teias infernais da miséria e do crime.

“Veio o seu inimigo…” pode simbolizar adversário, pessoa que não simpatiza conosco ou paixões e vícios que ainda albergamos. A despeito de ambos serem um instrumento avaliador do progresso que tenhamos alcançado, não devem ser objeto de inquietações. Perante qualquer tipo de inimigo devemos dar “[…] sempre o bem pelo mal, a verdade pela mentira e o amor pela indiferença…” O adversário, em qualquer contexto, representa as perigosas infiltrações do mal.

O mundo está cheio de enganos dos homens abomináveis que invadiram os domínios da política, da ciência, da religião e ergueram criações chocantes para os Espíritos menos avisados […]. Mas o discípulo de Jesus, bafejado pelos benefícios do Céu todos os dias, que se rodeia de esclarecimentos e consolações, luzes e bênçãos, esse deve saber, de antemão, quanto lhe compete realizar em serviço e vigilância e, caso aceite as ilusões dos homens abomináveis, agirá sob responsabilidade que lhe é própria, entrando na partilha das aflitivas realidades que o aguardam nos planos inferiores.

As imperfeições morais são ferrenhos adversários. Quando menos esperamos, somos envolvidos pelas tramas das próprias imperfeições. Daí a importância do conselho de Jesus sobre o “vigiai e orai”. (Mt 26.41)

Mencionamos com muita frequência que os inimigos exteriores são os piores expoentes de perturbação que operam em nosso prejuízo. Urge, porém, olhar para dentro de nós, de modo a descobrir que os adversários mais difíceis são aqueles que não nos podemos afastar facilmente, por se nos alojarem no cerne da própria alma. Dentre eles, os mais implacáveis são o egoísmo, que nos tolhe a visão espiritual, impedindo vejamos as necessidades daqueles que amamos; o orgulho que não nos permite acolher a luz do entendimento […]; a vaidade, que nos sugere superestimação do próprio valor […]; o desânimo, que nos impele aos princípios da inércia; a intemperança mental que nos situa na indisciplina; o medo de sofrer, que nos subtrai as melhores oportunidades de progresso, e tantos outros agentes nocivos que se nos instalam no Espírito, corroendo-nos as energias e depredando-nos a estabilidade mental.

É importante estarmos atentos porque as investidas do mal, alheias ou próprias, não marcam hora: surgem subitamente. O joio, caracterizado pela erva daninha, representa a ação contrária ao bem. Semeado quando estivermos desatentos (“dormindo”) pode gerar resultados funestos.

O homem enxerga sempre, através da visão interior. Com as cores que usa por dentro, julga os aspectos de fora. Pelo que sente, examina os sentimentos alheios […]. Daí, o imperativo de grande vigilância para que a nossa consciência não se contamine pelo mal.

A frase: “E semeou joio no meio do trigo” tem significado específico. Jesus poderia ter escolhido outra semente, que não o joio, para ilustrar o adversário do bem. O joio, porém, é uma erva daninha que se parece com o trigo, e que se desenvolve no meio dele. Assim também acontece na vida: encontramos ações infelizes ao lado de sublimes realizações humanas.

Quando Jesus recomendou o crescimento simultâneo do joio e do trigo, não quis senão demonstrar a sublime tolerância celeste, no quadro das experiências da vida. O Mestre nunca subtraiu as oportunidades de crescimento e santificação do homem e, nesse sentido, o próprio mal, oriundo das paixões menos dignas, é pacientemente examinado por seu infinito amor, sem ser destruído de pronto. Importa considerar, portanto, que o joio não cresce por relaxamento do Lavrador Divino, mas sim porque o otimismo do Celeste Semeador nunca perde a esperança na vitória final do bem.

A luta da vida, como processo educativo, nos oferece contínuas oportunidades para semearmos o bem, evitando o mal. Empenhados nesse propósito, é comum termos que enfrentar padrões menos edificantes da própria personalidade, que surgem no caminho como poderosos adversários.

Jesus, porém, manda aplicar processos defensivos com base na iluminação e na misericórdia. O tempo e a bênção do Senhor agem devagarzinho e os propósitos inferiores se transubstanciam.

O texto de Mateus nos fala que após a semeadura do joio o inimigo “retirou-se”. Percebemos, assim, que em todos os acontecimentos infelizes e decorrentes da invigilância ou da insinuação de forças inferiores, o mal opera às escondidas. Instaurado o processo de desarmonia, o agente causador da perturbação “retira-se”, observando, à distância, os seus efeitos.

Ante as devastações do mal, apoia o trabalho que objetive o retorno ao bem. […] Onde haja desastre, auxilia a restauração. […] Se a maldade enodoa essa ou aquela situação, faze o melhor que possas para que a bondade venha a surgir.

  • E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E as servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu no teu campo boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo? Porém ele lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar, mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro (Mt 13.26-30).

Na Natureza não há saltos evolutivos: semeia-se, germina-se, cresce e frutifica-se. O mesmo ocorre com o bem e o mal. Quem planta, colhe a seu tempo, segundo a qualidade da sua semeadura. Toda semente semeada irá crescer e frutificar, cedo ou tarde. Por este motivo devemos ter cuidado com nossos pensamentos, palavras, gestos e ações, pois receberemos da vida aquilo que oferecemos a ela. Nem sempre, todavia, conseguimos perceber a presença do mal, sendo necessário, então, que este cresça para que possa ser enxergado. Por esta razão, nos alerta Jesus: “E quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio.”

Vemos, assim, que no plano evolutivo onde nos situamos é preciso que o bem esteja ao lado do mal. Não somente para que possamos exercitar a capacidade de discernimento, entre um e outro, mas permitir que os bons exemplos ajam sobre o mal, tornando-o melhor.

A parábola nos relata que os servos, surpreendidos com a presença do joio no meio do trigo, indagaram ao Senhor se deveriam arrancá-lo. A orientação que o Senhor lhe ofereceu foi sábia: “não, deixai-os crescer juntos até a ceifa”.

Analisando este trecho do registro de Mateus, percebemos que “os servos” citados são os trabalhadores da seara divina. O “pai de família” é Deus, o Criador Supremo. Neste sentido, os servos são os instrumentos utilizados por Jesus, o semeador da boa semente, nas múltiplas expressões de serviço existentes em sua seara bendita. Metaforicamente, os servos podem ser entendidos também como mãos operantes ou inteligência sublimada, subordinadas aos ditames da lei de amor.

A gleba imensa do Cristo reclama trabalhadores devotados, que não demonstrem predileções pessoais por zonas de serviço ou gênero de tarefa. Apresentam-se muitos operários ao Senhor do Trabalho, diariamente, mas os verdadeiros servidores são raros. A maioria dos tarefeiros que se candidatam à obra do Mestre não seguem além do cultivo de certas flores, recuam à frente dos pântanos desprezados, temem os sítios desertos ou se espantam diante da magnitude do serviço, recolhendo-se a longas e ruinosas vacilações ou fugindo das regiões infecciosas. Em algumas ocasiões costumam ser hábeis horticultores ou jardineiros, no entanto, quase sempre repousam nesses títulos e amedrontam-se perante os terrenos agressivos e multiformes.

A ceifa expressa o momento final da produção agrícola. No plano individual, trata-se do momento em que a criatura colhe o que cultivou. Gratificados seremos quando os frutos positivos puderem superar, na colheita, os valores menos felizes que a invigilância permitiu crescessem no transcurso das experiências.

Merece destaque a seguinte afirmativa de Jesus: “E, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio.” Observemos que antes da colheita os trabalhadores eram denominados “servos”. Por ocasião da ceifa, porém, o Mestre os nomeia de “ceifeiros”. Os segundos são diferentes dos primeiros. Ceifeiros, no conceito geral, são trabalhadores que exercem atividades específicas. São, no contexto interpretativo do ensinamento de Jesus, os cooperadores conscientes, detentores de responsabilidades maiores. O plantio pode ser feito por qualquer um de nós, a ceifa, porém, cabe a tarefeiros sintonizados com as fontes do eterno bem.

Essa ceifa tem um significado especial, considerando o sentido não-literal do texto evangélico.

O joio, ao brotar, é muito parecido com o trigo e arrancá-lo antes de estar bem crescido seria inconveniente, por motivos óbvios. Na hora de produção de frutos, em que será perfeita a distinção entre ambos, já não haverá perigo de equívoco: será ele, então, atado em feixes para ser queimado. Coisa semelhante irá ocorrer com a Humanidade. Aproxima-se a época em que a Terra deve passar por profundas modificações, física e socialmente, afim de transformar-se num mundo regenerador, mais pacífico e, consequentemente, mais feliz.

A seguinte orientação de Jesus define o programa que deverá ser executado pelos Espíritos ceifeiros, na ocasião propícia: “e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.” Chegada a inevitável hora da colheita, joio — representado pelas lágrimas, dores e amarguras, decepções, desilusões e conturbações — é reunido e expurgado da seara do Senhor, pelo funcionamento natural da engrenagem de quitação dos débitos adquiridos. A lei de Causa e Efeito, agindo de forma inderrogável, encaminha o ser a novas experiências.

O joio, reunido em feixes para ser queimado, simboliza os momentos de real aferição do aprendizado desenvolvido pelo Espírito. Percebe-se, então, que as dificuldades não vêm isoladas, mas formam, quase sempre, um conjunto de apreensões e desafios que devemos superar.

Muitas plantas espinhosas ou estéreis são modificadas em sua natureza essencial pelos filtros amorosos do Administrador da Seara, que usa afeições novas, situações diferentes, estímulos inesperados ou responsabilidades ternas que falem ao coração; entretanto, se chega a época da ceifa, depois do tempo de expectativa e observação, faz-se então necessária a eliminação do joio em molhos. […] Eis por que, aparecendo o tempo justo, de cada homem e de cada coletividade exige-se a extinção do joio, quando os processos transformadores de Jesus foram recebidos em vão. Nesse instante, vemos a individualidade ou o povo a se agitarem através de aflições e hecatombes diversas, em gritos de alarme e socorro, como se estivessem nas sombras de naufrágio inexorável.

O último ensino de Jesus (“Mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro”) do texto em estudo, mostra que no Celeiro Divino só há espaço para o bem, para o Evangelho do Reino, representado pela semente de trigo. Praticando o bem estaremos dando expansão ao que há de divino em nós, e, em consequência, experimentando a felicidade plena. É imperioso guardar confiança no Senhor, tendo fé em suas promessas e contando com a sua proteção, sobretudo nos momentos de sofrimento em que se faz necessário separar o joio do trigo e aquele seja atado em molhos para serem queimados.

O seguinte cântico-oração de Davi expressa a confiança no Senhor, concedendo-nos a fortaleza moral para superar os obstáculos que surgem na nossa caminhada evolutiva:

O Senhor é o meu pastor; nada me faltará. Deitar me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome. Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor por longos dias. (Salmos, 23.1-6).


Referências:

NO CAMPO
(Vinha de Luz, cap. 68)

"O campo é o mundo." - Jesus. (Mateus 13:38)

Jesus tem o seu campo de serviço no mundo inteiro.
Nele, naturalmente, como em todo campo de lavoura, há infinito potencial de realizações, com faixas de terra excelente e zonas necessitadas de arrimo, corretivo e proteção.
Por vezes, após florestas dadivosas, surgem charcos gigantescos, requisitando drenagem e socorro imediato.
Ao lado de montanhas aureoladas de luz, aparecem vales envolvidos em sombra indefinível.
Troncos retos alteiam-se, junto de árvores retorcidas; galhos mortos entram em contraste com frondes verdes, repletas de ninhos.
A gleba imensa do Cristo reclama trabalhadores devotados, que não demonstrem predileções pessoais por zonas de serviço ou gênero de tarefa.
Apresentam-se muitos operários ao Senhor do Trabalho, diariamente, mas os verdadeiros servidores são raros.
A maioria dos tarefeiros que se candidatam à obra do Mestre não seguem além do cultivo de certas flores, recuam à frente dos pântanos desprezados, temem os sítios desertos ou se espantam diante da magnitude do serviço, recolhendo-se a longas e ruinosas vacilações ou fugindo das regiões infecciosas.
Em algumas ocasiões costumam ser hábeis horticultores ou jardineiros, no entanto, quase sempre repousam nesses títulos e amedrontam-se perante os terrenos agressivos e multiformes.
Jesus, todavia, não descansa e prossegue aguardando companheiros para as realizações infinitas, em favor do Reino Celeste na Terra.
Reflete nesta verdade e enriquece as tuas qualidades de colaboração, aperfeiçoando-as e intensificando-as nas obras do bem indiscriminado e ininterrupto...
É certo que não se improvisa um cooperador para Jesus, entretanto, não te esqueças de trabalhar, dia a dia, na direção do glorioso fim ...

 

JOIO
(Vinha de Luz – 107)

"Deixai crescer ambos juntos até à ceifa e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio e atai-o em molhos para o queimar." - Jesus. (MATEUS, 13:30.)

Quando Jesus recomendou o crescimento simultâneo do joio e do trigo, não quis senão demonstrar a sublime tolerância celeste, no quadro das experiências da vida. O Mestre nunca subtraiu as oportunidades de crescimento e santificação do homem e, nesse sentido, o próprio mal, oriundo das paixões menos dignas, é pacientemente examinado por seu infinito amor, sem ser destruído de pronto.
Importa considerar, portanto, que o joio não cresce por relaxamento do Lavrador Divino, mas sim porque o otimismo do Celeste Semeador nunca perde a esperança na vitória final do bem.
O campo do Cristo é região de atividade incessante e intensa. Tarefas espantosas mobilizam falanges heróicas; contudo, apesar da dedicação e da vigilância
Dos trabalhadores, o joio surge, ameaçando o serviço.
Jesus, porém, manda aplicar processos defensivos com base na iluminação e na misericórdia. O tempo e a bênção do Senhor agem devagarinho e os propósitos inferiores se transubstanciam.
O homem comum ainda não dispõe de visão adequada para identificar a obra renovadora. Muitas plantas espinhosas ou estéreis são modificadas em sua natureza
essencial pelos filtros amorosos do Administrador da Seara, que usa afeições novas, situações diferentes, estímulos inesperados ou responsabilidades ternas que falem ao coração; entretanto, se chega a época da ceifa, depois do tempo de expectativa e observação, faz-se então necessária a eliminação do joio em molhos.
A colheita não é igual para todas as sementes da terra. Cada espécie tem o seu dia, a sua estação.
Eis por que, aparecendo o tempo justo, de cada homem e de cada coletividade exige-se a extinção do joio, quando os processos transformadores de Jesus foram recebidos em vão. Nesse instante, vemos a individualidade ou o povo a se agitarem através de aflições e hecatombes diversas, em gritos de alarme e socorro, como se estivessem nas sombras de naufrágio inexorável. No entanto, verifica-se apenas a destruição de nossas aquisições ruinosas ou inúteis. E, em vista do joio ser atado, aos molhos, uma dor nunca vem sozinha.

 

SEMEADURA E FRUTIFICAÇÃO
(Luz imperecível – 71)

“E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio.” – (Mt, 13:26)

“E, quando a erva cresceu e frutificou,” – Na natureza nada dá salto. Semeia-se, germina, cresce, frutifica. Assim também se dá com o Bem e o Mal. Quem planta, colhe a seu tempo. E colhe da natureza do que plantou. Do que damos, recebemos. Toda semente, mais cedo ou mais tarde, de acordo com os dispositivos da Criação, irá crescer e frutificar. Por isso devemos ter o máximo cuida-do com o que semeamos no solo do coração, nosso ou do semelhante. E a semeadura se dá por pensamentos, palavras, gestos e ações. Certamente cada um só pode dar do que possui. À vista disso, precisamos nos suprir do que é útil e do que é bom.

apareceu também o joio.” – Só vemos as coisas através do contraste. Só damos valor à luz quando estamos no escuro. Só reconhecemos o Bem em função do Mal. Dia virá em quem, mais polarizados pelo que é positivo, iden-tificaremos o que é Bom, em qualquer circunstância.
No entanto, o insucesso de nossas ações tem sido, até agora, o instrumento impulsionador do progresso em que pese sua manifestação nos parâmetros do sofrimento.
Na medida em que nos apropriamos, com firmeza, dos valores contidos no Evangelho do Cristo, passamos a reformular os sistemas de crescimento, afastando-nos do automatismo escravizante, posicionando-nos em planos operacionais do Bem, de essência positiva e renovadora.

 

AUTENTICIDADE
(Luz imperecível – 74)

“Porém ele lhes disse: Não; para que ao colher o joio não arranqueis também o trigo com ele.” (Mt, 13:29)

“Porém ele lhes disse: Não;” – Sugere o Senhor a atitude que se deve adotar diante de situações que não comportam dualidade. Na sequência de sua orientação deixa-nos entender quanto às consequências decorren-tes de uma ação em desacordo com o comportamento recomendado pela lógica e pelo discernimento. Neste particular, evidencia-se, sem qualquer laivo de presun- ção ou prepotência, a autoridade na afirmativa, decorren- te da assimilação correta da aprendizagem, não apenas pelo estudo mas, principalmente, pela experiência.

para que ao colher o joio não arranqueis também o trigo com ele.” – A preocupação em eliminar o erro é sempre válida. No entanto, o bom senso indica e a orientação de Jesus deixa entender, que o zelo, o perfeccionismo não devem impedir que o Bem se expanda. Compete-nos, sim, diligenciar para o constante aperfeiçoamento que nos cabe empreender assegure a cada um recursos para a conquista da paz espiritual.
Deixemos fluir naturalmente a vida em sua dinâmica, sem nos prendermos às suscetibilidades e lances de sentimentalismo pelas falhas cometidas.
Chamados a favorecer o Bem e a vigiar ainda mais quanto ao mal, saibamos entregar a Deus, no âmago da consciência, as consequências das ações do dia-a-dia, na certeza de que, se a Lei de Retorno é indeclinável, a extensão da Sua Misericórdia é infinita.

 

COLHEITA
(Luz imperecível – 75)

“Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.”( Mt, 13:30)

“Deixai crescer ambos juntos até a ceifa;”- O Bem ao lado do mal. Assim o Bem se torna melhor; e o mal deixa de ser mal, ou, se continua sendo elaborado, tem o Bem ao seu lado. O Bom, junto do mau, adquire virtudes. O mau junto do bom, terá abreviado o tempo para reconhecer o erro em que se encontra, e renovar-se.
Tal fato nós o detectamos em face da lei de dualidade que vige no universo, garantindo o equilíbrio da criação. Percebemo-lo no campo exterior, como podemos identificá-lo no Espírito. É assim que a treva cede um dia à evidência da luz e, a luz dissipando as trevas se capacita à mais amplas possibilidades de manifestação.
As circunstâncias, quer para o campo individual ou para o plano coletivo, são cíclicas, trazendo em seu bojo sugestões, valores, oportunidades, complementações.
A ceifa expressa o momento da avaliação, do fim de etapa, em que cada criatura colherá os elementos cultivados na faixa de tempo e de espaço que lhe foi outorgada. Gratificados seremos quando os frutos positivos puderem superar na colheita, os valores menos felizes que a invigilância permitiu crescessem no trans-curso das experiências.

e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: colhei primeiro o joio” – Se até então Jesus falava de servos, agora, em se tratando da colheita, vamos encontrar “os ceifeiros” como trabalhadores, portadores de responsabilidades mais definidas, mais específicas. Surge, portanto, o papel do cooperador consciente na faixa de responsabilidade que lhe cabe adotar na área de ação a que se ajusta.
Temos, no restante do versículo, todo um programa de trabalho a ser executado pelos ceifeiros. O verbo “dizer” está no futuro: O Pai de Família não diz agora mas, na hora precisa, exata. A ceifa está delineada pelo próprio ato de semear. No entanto, o momento de sua execução é de competência exclusiva do Criador. Ela virá, tenha sido positiva ou não, a semeadura. É dentro dessa flexibilidade que atuam os processos da Misericórdia Divina, estendendo o tempo para melhoria da safra ou encurtando-o para evitar-se situações mais difíceis.
O balanço implica em aferição de todos os elementos. Chegada esta hora inevitável, o joio, na forma de lágrima, dores e amarguras, decepções e conturbações, é reunido e expurgado, pela natural engrenagem de quitação dos débitos, ante as leis que nos governam.

e atai-o em molhos para o queimar;” – A Lei de Causa e Efeito, agindo inderrogável, encaminha o ser a novos ângulos de percepção e conhecimentos. Se a semeadura do mal gerou sofrimentos, são esses sofrimentos o fogo purificador capaz de deixar gravado no psiquismo a essência da experiência vivenciada. E tem sido sobre estas bases do joio colhido em molhos em “primeiro” lugar, que temos conseguido visualizar a necessidade, pelo menos, de zelar para o que o trigo, pela dinamização do Bem maior, possa ter preferência na busca da realização espiritual que nos cabe empreender. O joio, reunido em feixes para queima, demonstra o fato de que, nos momentos de aferição, as dificuldades não vêm isoladas, formando quase sempre, um corolário de apreensões e dificuldades, que nos cabe superar nos fundamentos da paciência, da humildade e da confiança em Deus.
O remorso queima como fogo na consciência, e apare-ce quando a inclemência do erro se evidencia. Apanha-se, ata-se e queima-se o mal e, quem a ele está imanta-do vive o mesmo processo: sofre até experimentar a necessidade de reabilitar-se. Quando queimamos algum material, os detritos servem de adubo. Uma pessoa que ajuda por vaidade, à medida que se esclarece, deixa de agir assim. O que não ajuda, passa a fazê-lo por ostentação, mas já está fazendo algo. Nada fica perdido!

“mas o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.” – No Celeiro Divino só há o Bem, o trigo. Fazendo o bem estamos dando expansão ao que há de Divino em nós e, em con-sequência, experimentando a felicidade no coração.

   


Para ficar por dentro das novidades do Projeto Transformar,
cadastre-se em nossa newsletter e nos acompanhe através das redes sociais:

E-mail: contato@projetotransformar.org

Voltar ao topo