PARÁBOLA DO FERMENTO
(Mt 13:33, Lc 13:20-21)

Mateus
33 Contou-lhes outra parábola: “O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e pôs em três medidas de farinha, até que tudo ficasse fermentado”.

 

Lucas
20 Disse ainda: “A que compararei o Reino de Deus? 21 É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e escondeu em três medidas de farinha, até que tudo ficasse fermentado”.

 

Comentários:

Talvez nenhuma outra parábola tenha sido alvo de tantas interpretações radicalmente divergentes entre si como esta. Infelizmente, Jesus não deu sua interpretação, porquanto isso teria eliminado muito papel que se tem gasto no debate sobre o que está implicado nesta parábola. A maior dificuldade gira em torno do sentido do símbolo do fermento. As principais ideias apresentadas são as seguintes:

1. Fermento é símbolo de maldade — é a influência penetrante do pecado, quer do diabo, da religião falsa, da política maliciosa ou dos homens em geral (...);
2. Outros acham que o fermento Indica, ao mesmo tempo, o desenvolvimento da maldade na igreja, bem como o fato que esse desenvolvimento seria grande; ou ainda, a influência do pecado original na igreja, porém, lado a lado com a graça gratuita de Deus (...);
3. Respeitando os intérpretes que tomam o fermento como símbolo do mal, devemos afirmar que, neste caso, não se deve entender isso. Provavelmente Jesus usou de ousadia para alterar o sentido comum do símbolo do fermento, a fim de que significasse coisa boa, isto é, o notável desenvolvimento do reino dos céus (...).

 

“Uma mulher...três medidas”.
Essas palavras, à semelhança do símbolo fermento, também têm recebido diversas interpretações exagerada, como as seguintes:

1. A mulher é a igreja romanista ou o papado.
2. É o diabo, que introduz maus elementos na igreja;
3. É o símbolo da agência do mau;
4. É símbolo bom, Jesus Cristo ou a própria igreja, em sua influência benéfica no mundo.

Mas provavelmente os detalhes fornecidos por Jesus servem apenas para formar uma história coerente e completa. Pelo menos nos é impossível dizer com exatidão o que significam tais detalhes, posto que não contamos com qualquer esclarecimento prestado sobre eles pelo Senhor Jesus.

 

“Três medidas”.
De novo, há diversas interpretações exageradas:

1. Os pais da igreja julgavam tratar-se de uma alegoria, aludindo aos representantes da raça humana, dividida em três grupos, os judeus, os gentios e os samaritanos. Outros dividiam a raça humana nas categorias de judeus, gregos e samaritanos.
2. Outros intérpretes pensam tratar-se da santificação da personalidade completa do homem, que se divide em corpo, espirito e alma.
3. Outros, ainda com maior exagero que os primeiros, pensavam tratar-se da preservação ou santificação da igreja, do governo e do mundo físico.

 

As Histórias da Semente de Mostarda e do Fermento
(13:31-33) O ponto central de ambas as parábolas é que o poderoso Reino que todos esperavam viesse emergir de origens aparentemente obscuras – como Jesus e os discípulos.

(13:33) As cidades romanas dispunham de padarias, mas a imagem aqui é a de uma camponesa da Galiléia. Fermento ou levedo seria adicionado ao alimento. Três porções de farinha, aproximadamente um alqueire,  era tudo o que a mulher podia misturar, e o pão resultante alimentaria em torno de cem pessoas.

 

No entanto, faz-se mister compreendermos que há quatro pré-requisitos básicos para o desabrochar da semente, a levedação do  fermento e para a solidificação do reino dos céus, a saber:

1. Virtude Humildade;
2. Campo Fértil;
3. Vontade;
4. Respeitar o Tempo ;

Finalmente, na obra Boa nova, capítulo X, Jesus responde o seguinte para Bartolomeu: “Bartolomeu, o evangelho terá de florescer, primeiramente, na alma das criaturas antes de frutificar para o espirito dos povos”. Conclui-se, portanto, que o trabalho é individual para depois se tornar coletivo. Amar o próximo como a si mesmo, isto é, primeiramente plantamos a nossa semente e colocamos o fermento em nossos corações para, a posteriori, uma vez que o terreno esteja fértil, a ação Divina atuará no devido tempo para a solidificação do reino dos céus em nossos corações.

 

Referências:

1.Carlos T. Pastorino – Sabedoria do Evangelho V (Mostarda e Fermento - pág. 113-115)
2.Caibar Schutel – Parábolas e Ensinos de Jesus (Parábola do Fermento - Cap. 4)
3.Casimiro Cunha - Cartilha da Natureza (O Pão - Cap. 85)

Fermento e Pão [baixar]


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